
Quinze dias de férias e meu Google Reader já tem seiscentos e tais posts não lidos. Esses pseudo-compromissos da Web 2.0 fazem a gente pensar que está muito ocupado não é mesmo?
- “Ah, não posso sair hoje porque ainda tenho meu Google Reader pra atualizar”, diz o nerd de plantão.
Como diria Pessoa, “Ai que prazer não cumprir um dever”.
Eu mesmo adoro a opção “marcar tudo como lido” do Google Reader, é totalmente libertador. Aliás, sou a favor da tecla “marcar tudo como feito” nas tarefas da vida real. Seria com certeza a melhor coisa que as novas tecnologias fariam por mim.
Há 50 anos atrás líamos o jornal do dia, com um pouco de sorte o noticiário da TV à noite e estávamos informados para o dia. Hoje temos 45 jornais online a ler, 259 blogs, os 5424 posts do Twitter, as 9855 atualizações do Facebook e ai de nós se não conseguirmos dar conta de tudo.
- “Você anda sumido, nunca mais apareceu”, reclamam os amigos para quem a existência se baseia no número de horas online. Aliás, a minha solução para o problema consiste num aparelho que existia há 50 anos e ainda existe até hoje: chama-se telefone. Trata-se de uma ideia original: uma caixinha onde marcamos um código e do outro lado responde a pessoa com quem queremos conversar. Simplesmente genial.
E ouvi dizer também que a Internet é uma das candidatas ao Prêmio Nobel da Paz. Mas paz pra quem, ora essa? Por um lado, depois que alguns adolescentes ficaram presos na frente de uma tela de computador, muitos adultos encontraram, finalmente, a paz. Só daria o Nobel se um dia o querido presidente Ahmadinejad se viciasse em Farmville e desistisse de destruir o mundo com uma bomba nuclear.
No entanto toda essa discussão é inútil porque me parece exagerado dar um prêmio para um emaranhado de aparelhos eletrônicos ligados por fiozinhos, pois se assim fosse minha casa já seria tricampeã confirmada.